SERENATAS EM CEARÁ-MIRIM - Os anos sessenta iam chegando ao fim. Nas
madrugadas da bucólica Ceará-Mirim, em seus becos, pracinhas e ruas ouvia-se o
cantar afinado de Pipí. Filho do ferreiro Duão, aprendera a tocar violão com o
mestre Euclides, que também ensinara a Raimundinho e Neco Araújo. Um metro e
oitenta de altura, não tomava bebidas alcóolicas, só refrigerantes; não tinha
inimigos; não andava armado. Era um apaixonado por serenatas, que tão bem
realizava com muita maestria, com seu violão e voz, até que certa vez, acusado de
perturbar o silêncio noturno, foi barbaramente assassinado por um despreparado
delegado, que segundo apurou-se, no momento estava embriagado. Agonizando no
hospital, recebeu a visita do amigo Jadson Queiroz, a quem afirmou: - “Não
tenho raiva dele não... estava alcoolizado. Só queria que ele sentisse as dores
que estou sentindo.” Foi seu último contato. Na manhã seguinte, veio a óbito.
São passados muitos anos, mas as lembranças e a imagem de Pipi ficarão
eternizadas nas madrugadas do Ceará-Mirim e na memória dos que com ele
conviveram.

São lembranças que o tempo não apaga.
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