terça-feira, 30 de junho de 2026

M E M Ó R I A


SERENATAS EM CEARÁ-MIRIM - Os anos sessenta iam chegando ao fim. Nas madrugadas da bucólica Ceará-Mirim, em seus becos, pracinhas e ruas ouvia-se o cantar afinado de Pipí. Filho do ferreiro Duão, aprendera a tocar violão com o mestre Euclides, que também ensinara a Raimundinho e Neco Araújo. Um metro e oitenta de altura, não tomava bebidas alcóolicas, só refrigerantes; não tinha inimigos; não andava armado. Era um apaixonado por serenatas, que tão bem realizava com muita maestria, com seu violão e voz, até que certa vez, acusado de perturbar o silêncio noturno, foi barbaramente assassinado por um despreparado delegado, que segundo apurou-se, no momento estava embriagado. Agonizando no hospital, recebeu a visita do amigo Jadson Queiroz, a quem afirmou: - “Não tenho raiva dele não... estava alcoolizado. Só queria que ele sentisse as dores que estou sentindo.” Foi seu último contato. Na manhã seguinte, veio a óbito. São passados muitos anos, mas as lembranças e a imagem de Pipi ficarão eternizadas nas madrugadas do Ceará-Mirim e na memória dos que com ele conviveram.


Um comentário:

COMENTE AQUI